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terça-feira, 24 de julho de 2007

Antecipação da maioridade penal: a discussão longe do consenso

Leonellea Pereira
Estudante de Direito – UEPB

Em resposta ao clamor da população após o brutal assassinato do menino João Hélio, no Rio de Janeiro, as duas casas do Congresso Nacional incluíram em sua agenda a discussão de medidas que sejam realmente eficazes no combate à criminalidade. As propostas e sugestões dos senadores para impor uma ofensiva à violência vão desde a antecipação da maioridade penal e punição mais dura para quem utilize menor na prática de delitos, a maior volume de recursos para a área de segurança e redução das desigualdades sociais. Foi também sugerida uma comissão mista para estudar mudanças na legislação penal. A pauta contra a criminalidade domina os debates no primeiro semestre deste ano, ao lado do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A redução da maioridade penal é hoje um dos temas mais freqüentes na maioria das discussões sociais, políticas e acadêmicas. Caso o Brasil já adotasse a maioridade aos 16 anos, o adolescente envolvido no assassinato de João Hélio enfrentaria as sanções previstas no Código Penal, e não as do Estatuto da Criança e do Adolescente [ECA]. Segundo o art. 112 do ECA, quando um adolescente pratica uma infração mediante grave ameaça ou violência, e sendo ele reincidente, “pode estar indicada a internação em estabelecimento educacional”. Mas o art. 121 deixa claro que “em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos”. Já o Código Penal prevê para o crime de homicídio qualificado [que é o caso] uma pena in abstrato de 12 a 30 anos de prisão.

No cerne da discussão sobre como reduzir a violência nas cidades brasileiras, a questão da maioridade penal está longe de ser um consenso mundial. O limite varia muito, ao sabor de diferentes visões de mundo e teorias jurídicas. Os dois lados da polêmica no Brasil usam os mesmos dados, mas com visões diametralmente opostas, para contar a seu favor os critérios adotados nos outros países.

Leia o artigo completo clicando aqui

1 comentários:

Marcos Pablo disse...

O artigo é provocador, não pela escrita que é sensata e lúcida, mas por representar um contra-senso à opinião pública. Os argumentos que são utilizados não podem ser desconsiderados, são firmes e apontam para uma preocupação muito mais profunda com a sociedade brasileira do que a que tem demonstrado nossos representantes. é preciso que tomemos cuidado, e
Leonellea alerta-nos em seu artigo, sobre os interesses de classe, que disfarçam-se na comoção nacional manipulada e motivada pelos grandes meios de mídia.
A autora me faz acreditar que ainda existem operadores do direito orientados pela justiça. Embora saibamos que a grande maioria orienta-se pela força do capital.